Agora é/continua sendo pra valer. A banda Mauloa se apresenta neste sábado (7), às 19h, no espaço Uthopia, com o show de lançamento do primeiro EP do sexteto, “Num sentido geral”. Além das quatro músicas que compõem o trabalho de estreia, o repertório contará com outras composições autorais da banda, versões e releituras de Bob Marley, Luiz Gonzaga, Peter Tosh e Steel Pulse, entre outros, além de músicas próprias de alguns dos convidados da noite: Henrique Villela, produtor do EP e integrante da Soul Rueiro, assim como Hugo de Castro; RT Mallone; Me Gusta Xagusta; Alice Santiago, do grupo Tatá Chama e as Inflamáveis; Bruno Targs, ex-percussionista do grupo; e Diogo Santiago e Dudu Santos, da antiga Alma Roots. Para completar, o DJ Pedro Paiva, do Vinil É Arte, faz a discotecagem da noite.
“Num sentido geral”, começou a ser gravado em setembro de 2017, de forma independente, no Sonidus Studio, num processo que durou cerca de oito meses, com a atual encarnação da Mauloa (Mikael Gomes, vocais; Pedro Alfeld, flauta e voz; Thalles Oliveira, bateria, percussão e voz; Thimy Vieira, teclados; Tiago Croce, guitarra; Victor Sampaio, baixo e voz). O trabalho está disponível em diversas plataformas digitais (YouTube, Spotify, ITune, Deezer) desde 19 de junho. No show no Uthopia, o grupo já deve estar de posse do CD físico para fazer a alegria dos ouvintes. “Nossa ideia era lançar um álbum, já tínhamos dez músicas inclusive. Mas iria demorar demais, e a gente queria mostrar nosso trabalho, a banda só passa a ‘existir’ quando tem algo para as pessoas ouvirem. É uma forma de conhecerem a banda e ficar com um gosto de ‘quero mais'”, explica Victor.

Cidade e natureza, junto a temas políticos, sociais e filosóficos, fazem parte das canções da Mauloa

Mauloa tem pequenos e grandes recomeços
A vontade de mostrar a que vieram faz sentido, afinal a Mauloa existe oficialmente desde abril de 2016, mas o embrião vem de mais tempo. Ainda em 2013, Vitor, Tiago e Anderson Vieira (ex-integrante) começaram a arriscar algumas melodias quando eram estudantes do Ifet e logo tiveram a companhia de Rafael nos vocais. Foram apresentações esporádicas, pequenas, em festas de aniversário e afins, até os shows em fevereiro e março de 2016, quando decidiram que era hora de emplacar de vez o nome Mauloa – palavra indiana que significa “aquilo que é eterno”. Foi nessa época que Gabriel seguiu outros caminhos e Mikael foi integrado à formação, e a Mauloa decidiu que o negócio tinha ficado sério.
“Nós até começamos a gravar um outro EP, com músicas diferentes (uma delas, “Funk de guerra”, sobreviveu e acabou entrando em “Num sentido geral”), mas aí veio o Festival Sangue Novo e trocamos ideia com muita gente legal, de diversos estilos, tivemos uma evolução que nos forçou a começar tudo de novo. Passamos a ter uma outra postura, vimos que deveríamos seguir uma nova proposta, ter um esquema mais profissional, com responsabilidades técnicas e até mesmo burocráticas.” Essa preocupação, explica Victor e os demais integrantes da banda, inclui detalhes como a arte da capa, a cargo do artista Cadu Marques (“Conheci o trabalho dele em Ibitipoca, e quando pensamos nele para a arte todos concordaram na hora”, diz Mikael Gomes), e da preparação do cenário para os shows, como eles prometem que poderá ser visto no sábado.
Ligados no mundo e no ‘eu’ interior
O som da Mauloa tem como sustentação primária o reggae, mas eles transitam de forma tranquila por ritmos como o funk, o dub e o baião. As letras são de autoria de Victor, com críticas políticas e sociais, divagações filosóficas e inspiração na vida urbana e na natureza. “Acompanho muito o noticiário político, fico antenado nos acontecimentos globais, assim como toda a banda. E gosto muito de filosofia, principalmente Nietzche e Kant; são dois filósofos em campos opostos, e gosto de pegar esses dois pontos para chegar a um meio termo e fazer meus questionamentos”, diz Victor. “E até pouco tempo não tinha celular, então estava sempre observando as coisas e escrevendo. Cheguei a perder ônibus para desenvolver uma ideia.”
Essas divagações filosóficas vêm acompanhadas de trechos de melodias, fragmentos de músicas, que ele vai criando à medida em que escreve. Com o “esqueleto” pronto, é hora de apresentar a ideia à banda e desenvolver a canção. A partir daí, as diversas influências de cada um dão tons diferentes para as músicas. “O som da Mauloa vem evoluindo desde o início”, afirma Victor. “Quando éramos apenas três, eu ouvia muito rock, o Anderson curtia MPB, e o Tiago só ouvia reggae antigo. Quando você pega pessoas com referências diferentes, vira outra coisa.”
“A gente vai conhecendo pessoas com estilos diferentes nos shows, somos apresentados a novas visões, e isso nos influencia”, acrescenta Thimy Vieira. “Hoje temos muita influência do funk clássico, mas o reggae continua a base principal que une todas as referências. E temos recebido um feedback legal, ainda mais se pensarmos que somos uma banda do underground, sem gravadora, tocando um estilo que não é midiático e com letras que buscam a reflexão.”
Ralação que não termina
Agora que “existem” oficialmente, os rapazes da Mauloa continuam o trabalho de formiguinha para tornar a “existência” visível. Com o CD em mãos, vão batalhar espaço nas rádios da região, sendo que já conseguiram espaço na rádio virtual Músicativa. Além disso, participam, de 13 a 15, do festival Canta São João, em Taruaçu (distrito de São João Nepomuceno), com a música “Uthopia”; planejam lançar o single da música “Seu Dotô” e gravar videoclipes para cada uma das canções do EP, num projeto desenvolvido com o fotógrafo Rodrigo Ferreira. Como pedra que rola não cria limo, eles organizam todo mês, na Uthopia, a festa “O bailoso”, com discotecagem dançante de funk, soul e música brasileira.
Um pouco mais para frente, querem aproveitar o verão vindouro para rodar as estradas com seu trabalho, além de pensar em gravar um álbum cheio num futuro não tão distante – quem sabe 2019? “O importante é fazer o som chegar ao maior número de pessoas, e para isso trabalhamos para oferecer um espetáculo completo”, resume Tiago.
Por Júlio Black - 06/07/2018 às 09h06- Atualizada 06/07/2018 às 09h25
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